Linfoma: sintomas, diagnóstico e a importância de investigar sinais persistentes

Linfoma: sintomas, diagnóstico e a importância de investigar sinais persistentes

O linfoma é um tipo de câncer que afeta o sistema linfático e pode se manifestar de diferentes formas. Um caroço indolor no pescoço, na axila ou na virilha que não desaparece, febre persistente, suor noturno intenso, perda de peso sem explicação e cansaço são alguns dos sinais que merecem atenção.

O tema foi destaque no Vanguarda Comunidade, da TV Vanguarda, em entrevista com a Dra. Leila Pessoa de Melo, hematologista e diretora clínica do Hemacore, durante a campanha Agosto Verde-Claro, dedicada à conscientização sobre os linfomas.

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 15.630 novos casos de linfoma por ano no triênio 2026–2028, considerando os linfomas de Hodgkin e não Hodgkin.

 

O que é linfoma?

O linfoma é um câncer que se origina no sistema linfático, parte importante do sistema imunológico. Esse sistema é formado por estruturas como os linfonodos, conhecidos popularmente como ínguas, além dos vasos linfáticos, baço e outros tecidos relacionados à defesa do organismo.

Existem dois grandes grupos de linfoma: linfoma de Hodgkin e linfoma não Hodgkin. Dentro desses grupos existem diferentes subtipos, com comportamentos e tratamentos distintos.

Por isso, diante de uma suspeita, não basta identificar a presença de um linfonodo aumentado. É necessário confirmar o diagnóstico e determinar exatamente qual tipo de linfoma está presente.

 

Caroço no pescoço, axila ou virilha: quando investigar?

Os linfonodos podem aumentar de tamanho como resposta normal a infecções. Uma infecção de garganta, por exemplo, pode provocar o aumento de uma íngua no pescoço. Nesses casos, é comum que o linfonodo seja dolorido e diminua novamente depois que a infecção melhora.

No linfoma, o comportamento pode ser diferente.

Um dos sinais de alerta é o aumento progressivo e persistente de um linfonodo, geralmente sem dor, principalmente quando não existe uma infecção que explique a alteração.

Os linfonodos aumentados podem aparecer no:

  • pescoço
  • axilas
  • virilha
  • tórax
  • abdômen

Nem todo caroço é sinal de câncer. Infecções e outras condições também podem provocar aumento dos linfonodos. O importante é observar a persistência da alteração e procurar avaliação médica quando ela não desaparece.

A Dra. Leila recomenda a investigação de sinais como gânglios aumentados, febre, suor noturno, cansaço e perda de peso sem causa aparente.

 

Quais são os sintomas do linfoma?

Os sintomas variam conforme o tipo de linfoma, a região afetada e a extensão da doença. Entre os principais sinais estão:

  • caroço ou aumento persistente de linfonodos
  • febre sem causa aparente
  • suor noturno intenso
  • perda de peso sem explicação
  • cansaço e fraqueza
  • coceira persistente na pele
  • tosse ou falta de ar
  • aumento do volume abdominal

O suor noturno relacionado ao linfoma pode ser intenso, a ponto de molhar roupas e lençóis. A perda de peso também merece atenção quando ocorre sem mudança na alimentação ou na rotina.

A tosse e a falta de ar, por exemplo, podem ocorrer quando existem linfonodos aumentados em regiões internas do tórax. Já o aumento do volume abdominal pode estar relacionado ao acometimento de estruturas do sistema linfático nessa região.

Esses sintomas, isoladamente, não significam que a pessoa tenha linfoma. Eles podem estar presentes em diversas outras condições. A persistência ou a associação de vários sinais é que deve motivar uma avaliação médica.

 

Como é feito o diagnóstico do linfoma?

O diagnóstico começa pela avaliação clínica, histórico do paciente e exame físico. Exames de sangue e de imagem também podem fazer parte da investigação.

No entanto, a confirmação do linfoma depende da análise de uma amostra do tecido afetado, geralmente obtida por biópsia de um linfonodo.

A biópsia permite identificar se existe um linfoma e, principalmente, determinar seu tipo e subtipo. Essa informação é fundamental porque os diferentes linfomas podem apresentar comportamentos muito distintos e exigir tratamentos diferentes.

Após a confirmação, outros exames podem ser necessários para determinar a extensão da doença, processo chamado de estadiamento.

 

Linfoma tem cura?

Em muitos casos, sim. As possibilidades de controle e cura dependem do tipo de linfoma, estágio da doença, características do paciente e resposta ao tratamento.

Por isso, não existe um único tratamento para todos os linfomas.

Dependendo do subtipo e das características da doença, o tratamento pode envolver quimioterapia, imunoterapia, radioterapia, terapias-alvo e, em situações específicas, transplante de células-tronco hematopoéticas.

A hematologia também passou por importantes avanços nos últimos anos, com o desenvolvimento de novos medicamentos e estratégias terapêuticas. Entre elas estão os anticorpos monoclonais e outras formas de imunoterapia, que permitem direcionar o tratamento de maneira cada vez mais específica.

Nos casos em que a doença retorna ou não responde ao tratamento inicial, também existem estratégias de resgate e novas terapias, que podem ser avaliadas de acordo com o subtipo do linfoma e as condições clínicas do paciente.

 

Por que o diagnóstico precoce é importante?

Como não existe um exame de rastreamento recomendado para pessoas sem sintomas para detectar linfomas, a atenção aos sinais do próprio corpo tem papel importante na identificação precoce.

Um linfonodo que permanece aumentado, especialmente quando cresce progressivamente e não há uma infecção que justifique a alteração, deve ser avaliado por um médico.

Não é preciso esperar que os sintomas se tornem intensos para procurar atendimento.

A informação ajuda a reconhecer alterações que podem passar despercebidas no dia a dia e permite iniciar a investigação quando necessário.

 

Entrevista no Vanguarda Comunidade

A Dra. Leila Pessoa de Melo falou sobre os principais sinais do linfoma, diagnóstico, fatores associados à doença e avanços no tratamento durante entrevista ao Vanguarda Comunidade, da TV Vanguarda.

Para assistir à entrevista completa:https://www.youtube.com/watch?v=dV0xarakymM

 

Sobre a Dra. Leila Pessoa de Melo

Dra. Leila Pessoa de Melo é médica hematologista e diretora clínica do Hemacore – Centro de Hematologia, com atuação em doenças hematológicas e transplante de células-tronco hematopoéticas.

Importante: Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação médica. Na presença de sintomas persistentes ou alterações sem causa aparente, procure um profissional de saúde.

 


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