Linfoma: quando uma íngua merece investigação?

Linfoma: quando uma íngua merece investigação?

Aumento dos gânglios, principalmente no pescoço, nas axilas e na virilha, é uma das manifestações mais conhecidas do linfoma. Entenda quais outros sinais podem aparecer, como a doença é diagnosticada e quais são as opções de tratamento.

O aparecimento de uma íngua costuma gerar preocupação. Afinal, um gânglio aumentado pode ser apenas uma reação do organismo a uma infecção ou estar relacionado a outras condições. Em alguns casos, porém, o aumento dos linfonodos pode ser um dos primeiros sinais de um linfoma.

O linfoma é um tipo de câncer que se desenvolve no sistema linfático, parte do sistema de defesa do organismo. A doença surge quando determinados linfócitos, células que participam da resposta imunológica, sofrem alterações e passam a se multiplicar de maneira descontrolada.

Segundo a Dra. Leila Pessoa de Melo, diretora clínica do Hemacore – Centro de Hematologia, esse crescimento anormal pode levar ao aumento dos linfonodos e, também atingir outros órgãos e tecidos. “O comportamento do linfoma depende do tipo da doença. Por isso, diante de um aumento persistente dos gânglios ou de outros sintomas sugestivos, é importante investigar a causa.”

 

O aumento das ínguas merece atenção?

Os linfonodos estão distribuídos por diferentes regiões do corpo e podem aumentar quando o organismo enfrenta uma infecção. Nesses casos, o gânglio costuma diminuir depois que a causa é resolvida.

No linfoma, uma característica que pode chamar a atenção é o aumento progressivo de um ou mais gânglios sem uma causa infecciosa evidente.

As ínguas podem ser percebidas principalmente no pescoço, nas axilas e na virilha. Também existem linfonodos dentro do tórax e do abdome, que não são palpáveis e podem provocar outros sintomas quando aumentados.

Por isso, mais do que identificar simplesmente a presença de uma íngua, é importante observar sua evolução e o contexto em que ela apareceu.

 

Quais são os sintomas do linfoma?

Os sinais variam de acordo com o tipo de linfoma e a região do organismo envolvida. Além do aumento dos linfonodos, podem ocorrer:

  • Suor noturno excessivo
  • Febre sem causa aparente
  • Perda de peso sem explicação
  • Coceira no corpo
  • Cansaço
  • Tosse seca ou falta de ar
  • Aumento do volume abdominal

 

A presença desses sintomas não significa que a pessoa tenha linfoma. Eles também podem aparecer em diversas outras doenças e situações. O que determina a necessidade de investigação é a avaliação conjunta dos sintomas, do exame físico e da história clínica.

 

Quais são os tipos de linfoma?

Os linfomas são classificados em dois grandes grupos: linfoma de Hodgkin e linfoma não Hodgkin.

O linfoma não Hodgkin reúne um grupo amplo e bastante diverso de doenças. Alguns subtipos apresentam crescimento mais lento, enquanto outros têm comportamento mais agressivo e precisam de tratamento em um intervalo menor.

O linfoma de Hodgkin também apresenta características próprias e pode ocorrer em diferentes faixas etárias.

Essa diversidade explica por que não existe um único tratamento para todos os pacientes com linfoma. Antes de definir a conduta, é necessário identificar exatamente qual o tipo de linfoma.

 

Como o linfoma é diagnosticado?

A investigação começa pela consulta médica. O hematologista avalia os gânglios, os sintomas, o tempo de evolução e outras informações importantes para direcionar os exames.

Exames de sangue podem fazer parte da avaliação, assim como exames de imagem, que ajudam a identificar linfonodos ou outras regiões do organismo que possam estar comprometidas.

Quando há suspeita de linfoma, porém, a confirmação do diagnóstico depende da análise do tecido. A biópsia permite estudar as células presentes no material coletado e determinar o tipo de linfoma.

Exames como tomografia computadorizada e PET-CT podem ser utilizados posteriormente para avaliar a distribuição da doença e auxiliar no planejamento do tratamento.

 

Todo linfoma precisa de tratamento imediato?

Não necessariamente. Essa é uma das características que diferenciam os vários tipos de linfoma. Algumas doenças têm comportamento mais lento e, quando o paciente não apresenta sintomas ou outros fatores que indiquem necessidade de intervenção, o médico pode recomendar acompanhamento periódico.

Em outros casos, principalmente diante de linfomas de comportamento mais agressivo ou de doença sintomática, o tratamento precisa ser iniciado.

“A decisão é individualizada. O tipo de linfoma, suas características, a extensão da doença e as condições clínicas do paciente são considerados para definir a melhor estratégia”, explica a Dra. Leila.

 

Como é tratado o linfoma?

O tratamento depende do subtipo e das características de cada caso. Entre as possibilidades estão quimioterapia, imunoterapia, terapias direcionadas e radioterapia. Em situações específicas, o transplante de células-tronco hematopoéticas também pode fazer parte da estratégia terapêutica.

Os avanços na hematologia ampliaram as opções disponíveis para diferentes tipos de linfoma. Por isso, conhecer exatamente qual é o subtipo da doença é uma etapa essencial antes da escolha do tratamento.

 

Quando procurar um hematologista?

Uma íngua que aparece durante uma infecção não significa, automaticamente, que exista uma doença grave. Mas um gânglio que permanece aumentado, cresce progressivamente ou surge sem uma explicação clara merece avaliação.

A atenção deve ser ainda maior quando o aumento dos linfonodos vem acompanhado de suor noturno excessivo, febre, perda de peso sem causa aparente, coceira persistente ou sintomas respiratórios e abdominais.

O hematologista é o especialista responsável pela investigação e pelo tratamento das doenças do sangue, da medula óssea e do sistema linfático, incluindo os linfomas.

 

Dia Mundial de Conscientização sobre o Linfoma

O 15 de setembro, Dia Mundial de Conscientização sobre o Linfoma, é uma oportunidade para ampliar o conhecimento sobre a doença e seus sinais.

A informação é especialmente importante porque uma íngua pode ter diferentes causas. Reconhecer uma alteração persistente não significa concluir que se trata de câncer, mas saber quando vale a pena procurar avaliação médica.

No caso do linfoma, o diagnóstico depende de investigação adequada e da identificação precisa do tipo da doença. Com essa informação, a equipe médica pode definir a conduta mais apropriada para cada paciente.

O Hemacore – Centro de Hematologia possui unidades em São José dos Campos e Jacareí e atua na investigação, diagnóstico, tratamento e acompanhamento de doenças hematológicas, incluindo os linfomas.


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